Ao longo de 36 anos, Ricardo Azsi construiu um dos mais sólidos diálogos entre a tradição monástica e a liberdade artística ocidental. Enquanto o mercado da "Nova Era" transformava mandalas em decorações esvaziadas, Azsi trilhava o caminho oposto: o da densidade mística.
A jornada começa em 1984 com o crayon e a escuridão da Série Luzes, uma busca primal pela luz que emerge do "Vazio" (sunyata) existencial ainda inconsciente do artista. A transição para a Série Espirais de 1987 revela uma certa precisão que remete ao intenso foco meditativo das mandalas arenosas tibetanas. Não há facilidade no traço; há o samadhi (concentração num ponto único). Cada linha tangente feita à mão, uma por uma, é uma prece visual que organiza o caos psíquico.
Nos anos 1990, o artista assume o papel de escriba dos mistérios. Suas séries temáticas Egípcias e Rúnicas resgatam a função original da mandala: a de ser um amuleto e um portal. Onde o monge vê o Monte Meru, Azsi constrói câmaras de imortalidade e fortalezas de proteção. A técnica mista sobre papel e fórmica da Série Indianas demonstra ainda mais que o suporte é apenas um veículo para o Verbo (seja ele o Ankh ou o Mantra).
A entrada no meio digital (2002–2020) não esfriou a busca espiritual; ao contrário, a tornou radiante. Inspirado por Helena e Nicholas Roerich, Azsi utilizou pixels como "grãos de areia luminosa" para capturar o Agni (fogo purificador). As séries Hedera Helix e Pompa Ostende trouxeram o orgânico e o efêmero para o centro, culminando na série Lux Per Fragmenta. Neste desfecho, o vidro quebrado torna-se o espelho da alma contemporânea: fragmentada, mas capaz de refletir a luz divina quando organizada pela simetria do coração.